segunda-feira, 10 de junho de 2013

Hoje Carlos decidiu que mudaria sua vida. Estava cansado de não ter dinheiro pra nada... queria tudo, não tinha nada.

Hoje sua vida mudaria... há dias vinha rondando as lindas mansões de Jurerê... Jurerê Internacional... 'até o nome é pomposo', pensava ele... 'por que alguns têm muito e outros têm nada?'

Ninguém disse que a vida é justa... será que ele não sabe disso?

Estava revoltado. E nada melhor do que uma revolta pras coisas mudarem... as guerras... todas... começam assim: uma pequena revolta, que cresce, cresce, cresce... e aí eu entro em ação.

Na guerra... em qualquer uma delas, eu trabalho mais que dobrado. Não estou me queixando, não. Se não estivesse satisfeita com meu trabalho mudaria de profissão. Não sou do tipo que se acomoda... se não gosto, largo mão.

Não... não é o que você está pensando... não é que eu goste do que faço, apenas não desgosto... é isso.

E Carlos decidiu. Esperou escurecer, pulou o muro... 'droga, cortei a mão', disse de si para si.

Ah! Ele tinha essa mania de falar consigo mesmo. Dizia ser um bom falante e um bom ouvinte... tinha grandes ideias e gostava de ouvi-las ao som de sua própria voz.

Correu agachado pelo gramado... parou. Silêncio total. 'Agora é só escalar esta parede e pular na sacada', falou de novo pra si próprio.

Não foi fácil, ele não tinha tanta habilidade... e eu só olhando. Até pensei em dar um empurrãozinho pra facilitar... me aproximei de mansinho.

E foi escalando... um pé aqui, outro ali, na parede, na grade da janela do térreo. 'Um impulso e chego lá', falou todo feliz com sua façanha. E um... e dois... e três... impulsionou o corpo para cima. As mãos quase... eu disse: quase conseguiram agarrar a beirada da sacada.

O que é um 'quase'... ele se desequilibrou, caiu e... bem, quebrou o pescoço...

Tenho de parar com essa minha mania de querer dar uma forcinha....

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