Me movo na velocidade da luz.... mas também sei andar devagarinho. Às vezes, muito, mas muito raramente, fico parada... apenas por segundinhos. Sempre estou no lugar certo e na hora certa. Nunca chego atrasada, nem adiantada... sou pontualíssima... mais que britânica. E olha que não carrego nenhum relógio comigo. Imagina como seria se eu fosse como Londres e suas centenas de relógios públicos espalhados pela cidade.
Pedro olhou para o mar... uma última vez; depois das drogas, sua maior droga (que não é nenhuma droga) era o surf. Ele adorava surfar. Mas um dia resolveu só experimentar a onda da maconha, daí partiu pro crac e... bem isso não é história que compete a mim contar.
Olhou pro mar, tão intensamente quanto pôde, e pensou: "Se existe outra vida depois desta, só vou surfar.... se existe céu, nas nuvens vou me equilibrar, se não existe nada... então levo e seguro comigo pra todo o nada a imagem do que mais me fez feliz na vida que tive." Pronto, ele estava pronto. Definitivamente aquela era a sua hora.
Eu, passivamente, assistia a tudo do outro lado da rua.
Então, ele se jogou. Gritei: nãããããõooooo!!! Eu sempre achei que ele não teria coragem.
Ele ouviu meu grito, tentou, arrependido de ter impulsionado seu corpo para a morte, se agarrar nas grades da sacada do décimo-primeiro andar, bateu com força o corpo no décimo andar e ploft!.... sim, ploft dentro da caçamba de um caminhão de lixo estacionado na calçada (desobedecendo às leis de trânsito, por uma boa causa). Isso tudo aconteceu em milionésimos de segundo.
Acordou dezoito dias depois em uma cama de hospital. Recuperando-se das inúmeras machucaduras causadas pela queda. E uma lesão na coluna cervical um pouco acima da sexta vértebra o tinha deixado tetraplégico.
Quando não é hora, não é hora. E não adianta insistir.
Continua.....
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