A empresa havia crescido assustadora e maravilhosamente. Os números aumentavam em progressão geométrica nos últimos dez anos... dez, não oito anos. Nos últimos dois anos, desciam ladeira abaixo... na mesma proporção que haviam subido.
Alex, o grande empresário, saíra do nada, ou do quase nada. Começou com uma carrocinha de cachorro-quente (herdada de seu pai) na saída do maior colégio da cidade... pra segunda carrocinha foi um pulo... e, geometricamente, o número de pontos subiu....
E ele diversificou: pizzas, hambúrgueres, sanduíches naturais....
Saíra das ruas, agora trabalhava em um prédio de três andares... na cobertura morava com sua esposa, Liana, e sua filha, Marcela...
Nos outros andares a SUA empresa. Que orgulho sentia... nem lembrava das vezes em que a carne de seus hambúrgueres não era de primeira qualidade... não era de qualidade nenhuma, na verdade.
'Coisas ruins não são para serem lembradas.' Seu lema... e assim seguia sem peso nenhum na consciência.
Mas os números caiam vertiginosa e assustadoramente.... 'Exatamente, estamos falidos', repetiu pela quinta vez Fábio, um homem calvo, com óculos imensos, que o deixavam mais feio do que já era. Fábio era o contador de confiança de Alex, em reunião com ele naquele momento.
Alex levantou-se ruidosamente, lançou um olhar fulminante para o vazio às suas costas. A passoss largos, saiu ruidosamente.
Um silêncio mortal preencheu a sala de reuniões. Um frio passou pela espinha de Fábio, um ligeiro tremor...
O barulho do elevador na direção da cobertura. Depois silêncio total.... por alguns instantes.
Bang!
Quebrou-se o silêncio minutos depois... O coração de Fábio começou a bater aceleradamente... enquanto o de Alex tum-tum... tum-tum... tum... ... ...
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