Michel sente-se preso ao corpo... meio corpo. Tem 45 anos e há vinte sofreu um acidente que o deixou paraplégico.
Michel ficou gravemente ferido em um acidente de moto. Consequência: perda de controle e sensibilidade dos membros inferiores, impossibilitando-o de andar e dificultando-o a permanecer sentado.
O acidente ocorreu há vinte anos. Já são vinte anos de luta para se manter mentalmente equilibrado. Sua esposa, Anne, tudo faz para amenizar o sofrimento de Michel... mas ele está cansado de se sentir prisioneiro em um corpo que não responde aos estímulos.
Tentou se adaptar, esforçou-se em se reeducar fisica e mentalmente à sua nova condição. Aceitou a cadeira de rodas... aceitou a total dependência, ou pelo menos acha que aceitou. Está resignado à condição de meia vida. E meia vida é pior, para ele, do que vida nenhuma.
Ouço ele suplicando pra que eu chegue. Sinto piedade, mas não posso atender às suas suplicas, até hoje...
Eu sei que, para ele, o pior é a perda do controle de suas necessidades fisiológicas... a remoção da urina acumulada na bexiga 'o mata lentamente', diz sempre. Mas ele colabora... colabora... por um tempo.
Ele está exausto, eu vejo isso...infecção urinária pode ajudá-lo. Então, Michel, que bom que você desistiu de colaborar.
E eu chego e o liberto da meia vida que leva... liberto-o da vida que não leva.
É, pra muitos sou liberdade....
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