Para José Honório o dia começa sempre com a luz do sol ou da lua... Tudo dependia do que estava acontecendo em cada dia. Estava no Afeganistão desde o início de 2001. Não era repórter de guerra, virrara repóter de guerra. Repórter não... fotógrafo.
José era apaixonado por fotografia. Havia feito vários cursos, conhecia todas as técnicas... e conhecia também o melhor ângulo, pela prática. Tinha girado meio mundo, fotografado as belezas naturais, consequências das catástrofes naturais... havia fotografado gente... gente bonita, bem alimentada, bem vestida. Mas também havia gente não tão bonita, gente que a vida tinha estragado, maltratado.
Fizera exposições em dezenas de lugares. Era aplaudido... sua fotografia era completamente humana. A sensação que se tinha ao vê-las é que as árvores iriam se balançar com o vento... que os pássaros sairiam voando... que as flores iriam exalar seu perfume... que as pessoas sairiam andando.
Tamanha perfeição!
Agora esta lá... no meio da guerra. Há melhor lugar em que fotos mais originais podem ser feitas? Fotos sangrentas...nojentas... destruição por decisão humana... fotos esquartejadas...
A guerra o atraía... ou melhor, o resultado concreto da guerra o atraía.
Acordou, com a luz do sol ou la lua... Preparou-se para mais um dia de trabalho. A melhor foto do dia, na capa do melhor jornal estaria. Saiu do hotel, e seu motorista o levou na direção das melhores fotos...
A guerra tem seus próprios planos. Um bombardeio - contra os inimigos - só contra os inimigos. Mas uma bomba não consegue diferenciar inimigo de amigo... cheguei para ambos.
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