terça-feira, 30 de abril de 2013

Há lugares que é bem óbvio de me encontrar... hospitais, asilos, por exemplo. Há lugares a que dificilmente chego. Um deles é em cemitérios.

'Como assim?' Você pode me perguntar... 'como assim? cemitério é o lugar de mortos por excelência'.

Sim.... você acertou é um lugar de mortos... só chega lá, só fica lá quem já está morto. E em quem já está morto eu não preciso chegar... já cumpri minha função, pelo menos, 24 horas antes de os corpos serem levados para o cemitério.

Mas hoje vou dei uma passadinha por lá.

João Pedro almoçou e foi direto para seu compromisso. João Pedro era paisagista. Transformava microespaços em micropaisagens fabulosas.

João Pedro tinha 43 anos, havia se separado há dois meses, sentia-se solitário. 'Definitivamente o homem não foi feito pra ficar sozinho', pensava enquanto dirigia em direção ao cemitério Céu e Paz.

Céu e Paz é um lugar magnífico... é como o Céu... lindo e cheio de paz ... como o próprio Céu. Os corpos que lá estão ficam realmente num lugar de paz.

João Pedro ia pensando em seus dois filhos. Ambos estavam na Europa estudando e João pensou que talvez uma viagem lhe fizesse bem... 'Vou terminar os projetos que estão em andamento e viajo', decidiu de si para si.

No cemitério iria trabalhar no túmulo da avó de um amigo seu. Já havia planejado um lugar prazeroso, belo e com um toque de sofisticação... exatamente como era Vó Marina.

Ao chegar, estacionou o carro, abriu a porta... e sentiu uma leve tontura, palpitação seguida de falta de ar...

Morte súbita é o nome que me dão quando aconteço dessa forma...

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