Chego a vários... muitos lugares ao mesmo tempo. Tempo e espaço não são, nunca foram problemas pra mim. E eu não paro de acontecer. Aconteço no mínimo de uma vez por dia até mais... bem mais de cem mil vezes por dia.
Chego de uma meneira... ou de outra. Às vezes me repito... às vezes aconteço de forma totalmente inusitada. Tudo depende do meu humor.
Marcia Cristina, 16 anos... Reveillon no Rio de Janeiro, Carnaval no Rio de Janeiro... não sabe ao certo quando aconteceu. Só sabe que aconteceu porque a gestação de um bebê é visível... a partir de um determinado momento, é visível.
Foi dificil, mas Marcia conseguiu esconder. Sua mãe, D. Paula, estava ocupada demais em trazer comida pra casa pra alimentar as quatro bocas que dependiam dela.
Marcia Cristina não queria um bebê, não programou um bebê; mais uma boca pra alimentar... E ela tinha programado algo bem diferente para seu próprio futuro - não queria nem sombra de dependentes; mas o bebê aconteceu. Todas as noites, ela fechava os olhos com força e desejava com mais força que o bebê não existisse, que tudo não passasse de um terrível pesadelo. "Amanhã de manhã eu vou acordar e vai estar tudo igual ao ano passado", pensava ela... deseja ela do fundo do coração.
Começa a primavera... uma linda manhã - uma manhã ensolarada, perfumada. Mas alguma coisa não está bem... uma dor como nunca havia sentido, não consegue sair da cama... e olha que ela se esforça. Mas não dá. Se encolhe, aperta a barriga, a dor cada vez mais forte... a cama molhada... grita e faz força... grita e faz força... alguma coisa parece ser arrancada de dentro dela.
Num esforço incomum, sentou e olhou... sangue, muito sangue...e mais um monte de coisa que não tinha a mínima ideia do que era. E no meio daquilo tudo um corpinho, uma boneca, toda molinha, roxinha. "Vou morrer", pensou.
Marcia Cristina não era meu foco, mas o bebê nunca aconteceu... não havia rastros, provas... nada que dissesse que algum dia ele existiu.
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