Sofia respirou fundo, na verdade, suspirou fundo. Estava tão apaixonada. Bernard não lhe saia da cabeça.
Havia decidido, hoje falaria com ele. Não importava ser ele casado; ela só precisava um pouco da companhia dele. Ficar ao lado dele, olhar nos olhos, tocar de leve seu rosto, abraçá-lo. Quem sabe um beijo de leve nos lábios?!
Não queria mais do que isso. Sabia que não teria. Sofia conhecia Morgana, a esposa de Bernard.
Ela era linda e inteligente. Tinha 27 anos, já fizera doutorado, falava inglês, francês, alemão e russo. Era médica também. Trabalhavam na mesma clínica.
Nas horas de folga, Morgana era escultora... uma artista.
Morgana e Bernard, juntos, pareciam um só, completavam-se e pareciam felizes... eram felizes, pensava.... Sofia nunca teria uma chance.
E Sofia também não era má, não queria destruir um lar. Tinha princípios, mas estava definhando com sua falta de esperança...
Então havia decidido: falaria com Bernard, diria que precisava dele, precisava passar alguns segundos por dia, pelo menos, com ele.
Um parênteses: Sofia não iria se satisfazer só com isso; você e eu sabemos que não é assim que funciona... mas ela achava que seria assim... e ia agir conforme sua forma de pensar.
Cedo saiu para correr na praia de Copacabana. O movimento já era intenso. A cidade acordara nervosa.
Sofia acabara de passar pelo Hotel Copacabana Palace, sempre se admirava com a beleza do lugar...
Um aglomerado de gente, buzinas, congestionamento, sirenes... um pouco mais à frente, percebeu, um acidente... e pelo jeito, grave...
Não queria parar para olhar, mas, como médica, sentiu-se na obrigação... e se precisassem de auxílio!?
Num primeiro momento não relacionou o Hyundai Tucson prata... mas a placa... ela sabia de cor aquela placa... um corpo no chão, coberto com uma toalha branca. Um homem todo encurvado sobre o corpo, sangue escorria da sua cabeça... as mãos, a roupa... era muito sangue.
Por um momento ela pensou: 'os dois se foram'... mas só por um momento. Ele num esforço tremendo levantou a cabeça, e ela viu uma dor que nunca tinha visto antes.
Abraçou-o... e tremeu... a única coisa que conseguiu pensar foi no que sua avó sempre lhe dizia: 'cuidado com o que você deseja, você pode receber".
Nenhum comentário:
Postar um comentário