quinta-feira, 18 de abril de 2013

Juvenal não conseguia passar um dia sem uma tremenda bebedeira. "É esta vida que levo... esta droga de vida", justificava ele. "Não tenho trabalho decente, não tenho dinheiro suficiente...então bebo, bebo sim." E bebia... bebia todo dinheiro que recebia como pintor de casa. Pintava uma casa, ganhava um dinheirinho, gastava... e pintava outra casa, ganhava.... e repetia tudo de novo outra vez.

Tinha 42 anos de vida infeliz. Tinha uma esposa que a cada bebedeira prometia que amanhã iria embora. Tinha três filhos - Manoel, Fernando e Paula. Eles moravam com a avó. Era mais seguro, era mais vida.

Terça-feira, 5 de março de 2013, um dia qualquer como todos os outros pra Juvenal. Pegou seu Fiat (bem velhinho) desceu da favela onde morava... e foi pra Zona Sul do Rio. Tinha um apartamento bacana pra pintar... já estava no finzinho.

À s 16 horas terminou. Dona Mercedes pagou tudinho, e Juvenal saiu feliz da vida... Sentou num barzinho e uma cervejinha, outra cervejinha, mais outra, mais uma... até que perdeu a conta.... bebeu, sem parar, durante três horas.

Pegou o carro, tudo girava, mas ele estava acostumado. O normal pra ele era tudo girar, e ele se garantia no volante.

Marina, 25 anos, mamãe de Carolina, 5 meses. Marina trabalhava até às 18 horas, e Carol ficava na creche, pertinho de casa. No fim do trabalho, Marina passava na creche, colocava Carol tão cheirosinha, tão sorridente no carrinho, dava um passeio pelo parque e voltava para casa.

Essa era a rotina da semana na cidade. Sábado e domingo era o campo.

Terça-feira, 5 de março, 18:50 Marina e Carol vinham pela calçada... felizes e seguras. Marina estava com dor de cabeça nesse dia - resolveu não passear no parque. Encontraram Bianca... alguns minutinhos de conversa... fatídicos minutinhos.

Uma dor de cabeça - mudança de planos. Um carro desgovernado - calçada é lugar de pedestre. Foi uma questão de segundos. Um embriagado, uma conversa que não estava no script... o lugar errado, no momento errado. E o carrinho do bebê foi arrastado... não sobrou nada. Deu tudo errado.

Não, nada deu errado, aconteceu exatamente o que estava no meu script.

Alguém ainda pensa que pode determinar quando eu vou chegar (ou deixar de chegar)? Alguém ainda acredita que pode me evitar?
Isso não existe, quando é hora, é hora... de um jeito ou de outro eu chego e levo você embora.

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