domingo, 7 de abril de 2013

Lá fora um sol tímido passava por entre as ramas das árvores. Os passarinhos voavam de lá pra cá num alegre e leve movimento. Duas lindas borboletas passaram bem rente à janela... o ar estava perfumado com as flores do jardim.

Léo, em sua cadeira de rodas, olhava tudo aquilo pela milionésima vez. Desde que entrara no asilo, entrara, não... fora colocado, contra a vontade, por seus filhos... 'é um lugar ótimo'... 'há pessoas que cuidarão do senhor o tempo todo'... 'há passeios, há diversão'... 'Tudo isso', lembrava ele, tinham dito eles... 'só pra convencê-lo'.

Estava cansado, desiludido, triste e só. Da vida não esperava mais nada. Todas as manhãs pedia à enfermeira que o colocasse em frente à janela. De lá, via o céu azul, as árvores, verdinhas... as flores de todas as cores... os pássaros... a vida (ou tudo diferente, conforme a estação). Deixava essa vida lentamente passar pelos seus olhos, entrar em sua mente e lá ficar. Não queria mais nenhum tipo de lembranças. Não queria lembrar do câncer que o corroía pouco a pouco... lentamente.

Que agonia essa lentidão...

- É hoje, tem de ser hoje - dizia de si para si... todas as manhãs.

Mas ainda não era! E outro dia... outro dia... outro dia.

Quem decide sou eu... chego na hora que quero. Você pode até implorar, não vai adiantar... suas lágrimas também não me comovem.

Mas, eu chego... e pode ser hoje.

Léo fixou o olhar na roseira vermelha bem à sua frente... 'havia três rosas a menos de ontem', pensou... 'quantas haverá amanhã?', perguntou de si para si (ele contava as rosas da roseira sempre).

Fechou os olhos....nunca soube quantas rosas estavam na roseira amanhã.

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