sábado, 13 de abril de 2013

Frio, frio, muito frio. Um dos lugares mais frios deste planetinha que se acha o centro do mundo.
Uma fortíssima nevasca esfriou ainda mais o continente frio da Antártida. Um continente gelado...

Algumas pessoas acham que eu sou gelada (mas é só porque encostam nos corpos frios dos seus mortos). Digo uma coisa: não tente me descrever, você não vai chegar nem perto de dizer como sou. Você não me conhece e quando puder dizer que me conhece, não poderá dizer nada porque estará mort@. E mortos não falam... pelo menos não como os vivos. E como meu objetivo aqui é apenas contar como aconteço no mundo dos vivos, jamais você me ouvirá contar como é o depois.

Adoro surpresas... adoro tanto que quando posso chego de surpresa. Então, não quero estragar a sua surpresa quando estiver mort@... morra e verá com seus próprios olhos como sou. Até lá nem tente me descrever... você vai errar em cheio, se seguir o senso comum... e mesmo que seja criativ@, você vai errar.

Voltando pro frio da Antártida - que você pode dizer que é frio porque sabe que é -, eu estava falando da nevasca que cobriu mais ainda de neve todo o continente...

Carrie acordou cedo naquele dia... abriu a janela, olhou pro céu e viu que estava limpo o suficiente pra ver a lua cheia à noite. A lua cheia na Antártida é linda!  Embora quase não exista mais noite por aqui... mesmo assim é lindo! É branco + branco + branco... tudo iluminado pela lua... é prata.

Vestiu-se: uma segunda pele, uma meia calça, uma calça de lã, um sweater bem fofinho, uma casaco bem grossinho, luvas, touca e um cachecol. Olhou-se no espelho e não gostou nadinha do que viu... parecia um bujão de gás (mulheres são vaidosas... eu sei, eu sei). Mas, não havia jeito... ia de bujão de gás mesmo.

Colocou as botas e saiu. Ah! deixe-me contar um detalhe: tudo o que vestiu era muito colorido e naquele fundo branco que não acaba mais... achei-a simplesmente mais linda. Não consegui tirar os olhos dela, fiquei perto demais.

Claro, ela nem percebeu.... sempre que andava naquela imensidão branca, perdia-se em pensamentos, admirando-se de como tudo aquilo era lindo. E eu não estava nos pensamentos dela... 'a morte é feia', é isso que ela pensa de mim.

Magoou... eu a acho linda.

Carrie estava passando pelo mesmo caminho que seguia todos os dias para chegar ao escritório central dos pesquisadores, onde trabalhava como cientista. Linda e inteligente.

Percebeu que ainda tinha alguns minutos antes de começar a trabalhar... desviou-se de sua rota habitual, seguiu por um caminhosinho que ia dar ela não sabia onde. Andou, andou e andou um pouquinho mais... sozinha, pensava ela, só eu tenho o privilégio de ver a beleza deste lugar. 'Aqui não há lugar pra morte... tudo é vida', falou com seus botões.

Tremi. E, quando eu tremo, sai de perto. O que aconteceu depois? Depois do meu tremor? Oras, uma avalanche, claro...

E à noite, a lua cheia estava lá...ma-ra-vi-lho-sa. Eu vi, Carrie, não.

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